6. O Lobisomem

O sétimo filho homem de uma mesma mulher, alguém mordido por outro lobisomem, ou simplesmente o filho de um pai lobisomem, muitas são as versões para essa lenda. Neste episódio, em diálogo com o Podcrastinadores S5E22, conto três histórias de lobisomens.

Citados no episódio:

Contato:

 

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4. Canção para o Tempo (Transcrição)

Parte 1

Som ambiente de navio

 

 

  • Sempre notei que o senhor tem um medo danado de crocodilos – disse o Irlandês.

 

    • Não de crocodilos! – corrigiu com raiva o Capitão Gancho. – Só tenho medo daquele crocodilo. – Abaixou então a voz. – Ele gostou tanto de minha mão, Irlandês, que tem me seguido a vida inteira, por todos os mares, por todas as terras, e vai lambendo os beiços com muita vontade de comer o resto de mim.

 

  • Não deixa de ser uma espécie de homenagem – disse o pirata.

 

  • Não quero homenagens desse tipo – uivou o Capitão. – O que eu quero é Peter Pan, que deu uma prova de mim para o animal. – Sentou-se num cogumelo enorme e fez mais uma revelação: – Irlandês, o crocodilo já teria me comido, se eu não tivesse dado sorte: acontece que ele engoliu também um relógio, que faz tique-taque o tempo todo. Quando escuto o tique-taque, eu me mando.

E o Capitão Gancho deu uma gargalhada oca.

 

  • O diabo é o seguinte: o dia que o relógio parar, por falta de corda, o crocodilo vem e… era uma vez o Capitão Gancho.

 

Passou a língua nos lábios secos:

  • Pois é isso, Irlandês, pois é isso o que me apavora.

 

Vírgula: O Tempo perguntou ao Tempo quanto tempo o tempo tem. O Tempo respondeu ao Tempo que o Tempo tem tanto tempo quanto tempo o Tempo tem.

 

Parte 2

Comentário: Marcelo

Bem vindos e obrigado a todos pela audiência, eu sou Marcelo Cafiero e este é o Podcast Hiperativo, um espaço para reflexão sobre temas diversos a partir de textos literários e informativos. Hoje, por sugestão do Foca, do podcast Despachados, o nosso tema é o tempo

 

Parte 3

A pressa do Tempo – Marcelo Gleiser

O tempo é uma medida de mudança. Se nada ocorre, o tempo se faz desnecessário. Portanto, no plano pessoal, percebemos a passagem do tempo nas mudanças que ocorrem à nossa volta e na nossa pessoa. O que torna a discussão interessante é que a “percepção” da passagem do tempo não precisa ser através dos cinco sentidos, como é o caso de outras percepções. Por exemplo, podemos determinar se algo está quente ou frio, perto ou longe, claro ou escuro, barulhento ou quieto, doce ou salgado, usando os nossos sentidos. Mas se nos isolássemos completamente, de modo a bloquear qualquer tipo de sensação sensorial de fora para dentro, ainda poderíamos perceber a passagem do tempo através dos nossos pensamentos. Na nossa cabeça, o tempo nunca para.

Dizem que a geometria veio das medidas de distância e os números vieram da passagem do tempo. Sendo assim, a percepção do tempo é ligada à à passagem: existe uma ordenação de eventos, coisas que acontecem uma após as outras. Os números nos ajudam a contá-las e à pô-las em ordem. Mas, para que seja possível ordenar eventos -o que vem antes de quê- precisamos lembrar o que ocorreu.

Logo, a percepção do tempo depende fundamentalmente da memória. Se nossas memórias desaparecessem por completo, nossa percepção da passagem do tempo se transformaria: voltaríamos a ser como bebês, e cada dia seria imensamente longo, cheio de memórias sendo acumuladas, baseadas nas tantas novidades que a vida oferece. Quanto mais temos para descobrir, mais memórias para criar, mais devagar o tempo passa. Na verdade, o tempo passa sempre do mesmo jeito, segundo após segundo. Mas nossa percepção dessa passagem depende do nível de envolvimento que nosso cérebro tem com a experiência que estamos tendo. A relatividade psicológica da passagem do tempo depende de quão nova a experiência é. Rotinas, a falta de novidade, faz com que o tempo acelere.

 

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/fe0301201004.htm

 

Parte 4

Comentário: Marcelo Cafiero

 

Gosto desse texto do Marcelo Gleiser por dois motivos. O primeiro é que ele nos ajuda a perceber o porquê de nossos dias irem acelerando enquanto envelhecemos. Temos cada vez menos coisas a descobrir no mundo e uma rotina que se consolida com maior solidez. E nessa reflexão podemos resgatar o Capitão Gancho, de Peter Pan… sempre correndo do “tic-tac” do relógio, enquanto seu arqui-inimigo flutua pelo ar vivendo aventuras e fantasias. Eu até fico com pena do Capitão quando percebo isso. Somos mais Capitão Gancho que Peter Pan, “o dia que o relógio parar por falta de corda, vem o Crocodilo”.

 

O segundo motivo é que ele liga um assunto que já tratei aqui, memória, ao assunto do próximo programa, rotina. Pois, é, você aí pensando que eu falei de “hipertexto” no primeiro programa sem motivo, né?

 

Vírgula: O tempo é um menino birrento/ Quando queremos lento, é rápido / Se o queremos rápido é lento.

 

Parte 5

Música ambiente

Trabalhava há anos na seção de Achados e Perdidos, com muito zelo, paciência e atenção aos pequenos detalhes. Mantinha todos os objetos organizados de maneira a facilitar sua localização quando fossem procurados.

 

Primeiro, as estantes eram identificadas por data: um mês, dois meses, quatro, sete, dez anos… em seguida, em cada prateleira, separava os objetos por tipo: carteiras, sapatos, exames médicos, sombrinhas, guarda-chuvas e tempo. Estes últimos eram sempre os de maior número.

 

Apesar de toda a dedicação, em muitos momentos, seu trabalho era frustrante, uma vez que a maior parte dos objetos perdidos não eram procurados por seus donos. Enquanto os donos que efetivamente procuravam a seção, não encontravam o seu objeto perdido entre aqueles achados e entregues ao Achados e Perdidos.

 

Um tipo de item em especial, nunca reencontrava seu dono: o tempo. Sombrinhas e guarda-chuvas costumavam ser procurados nos dias nublados. Carteiras, muitas vezes, até continham o mesmo valor em dinheiro de quando haviam sido perdidas. Mas o tempo, embora fosse o item mais procurado, nunca saía das prateleiras. Não é que ele se recusasse a entregá-los, pelo contrário! Satisfazia-se ao presenciar a alegria do reencontro. Mas era um funcionário zeloso, honesto e cumpridor de suas tarefas! Sempre que donos desleixados vinham ao guichê procurando por tempo, perguntava como ele era e quando havia perdido:

  • Era azul, eu o perdi há uns dois anos.
  • Era colorido, bem alegre. Perdi ontem.
  • Tinha assim uns detalhes em dourado, perdi agora no metrô.

Apesar de muitas vezes encontrar o tempo com a descrição feita, a sua resposta, invariavelmente era a mesma:

  • Sinto muito, este não é o seu tempo. Ele pertence a uma pessoa mais jovem.

 

Parte 6

Comentário

Esse foi o quarto episódio do Podcast Hiperativo, Projetos, criança doente, expansão das atividades do Entre Fraldas… atrasou tudo.

 

Nesse episódio agradeço a participação do Senhor A, como atendente do Achados e Perdidos.

 

O primeiro texto deste episódio é um trecho do romance “Peter Pan”. O segundo texto foi retirado de uma coluna que o físico Marcelo Gleiser escrevia na Folha de São Paulo. O conto sobre achados e perdidos é de minha autoria. Por fim, encerra o episódio um trecho da música Time, do Pink Floyd.

 

Ah! Não posso esquecer, do trava línguas que vem da cultura popular e do hai-cai que escrevi no meu tempo de adolescente.

 

Caso queiram enviar comentários e sugestões, como fez o Foca, sugerindo esse tema, enviem email para podcasthiperativo@gmail.com. Vocês também podem me encontrar no Twitter @marcelocafiero e todas as semanas no http://www.entrefraldas.com.br

 

Parte final

Música ambiente: Time (instrumental)

 

Cansado de tomar banho de sol

De ficar em casa para ver a chuva

Você é jovem e a vida é longa

Tem tempo para desperdiçar

Então, um dia você percebe

Que dez anos ficaram para trás

Ninguém lhe disse quando correr

E você perdeu o tiro de largada.

2. Três Histórias sobre Memória (transcrição)

Papel, fotografia, vinil, fita, flash, quantas tecnologias criamos para expandir nossa memória, para permitir a imortalidade de um momento? Apesar de tudo isso ainda existem (ou resistem) aquelas memórias que são individuais. Mas, a medida que o tempo passa, o quanto podemos confiar nelas… e se elas pudessem ser reproduzidas?

Como deu pra perceber, o tema do episódio desse mês é a memória!

Por falar nela, se você gostou, não esqueça de compartilhar, avaliar no iTunes e mandar suas impressões para mim.

 

 

Parte 1: Narração Marcelo

Música ambiente

Grécia, 500 anos antes de Cristo.

O poeta e filósofo Simônides era muito renomado na ilha de Ceos, onde nascera, e por toda Grécia. Conhecido por sua capacidade de expressar-se de maneira sintética, mas muito engenhosa, atraiu a atenção do rei Escopas, de Tessália, que o convidou para apresentar-se em um de seus banquetes.

Diferente de muitos de sua época, Simônides cobrava por suas apresentações e apresentou seu preço. Escopas, sentiu-se contrariado com a ousadia, mas não desejou expressar avareza ou deixar transparecer que a quantia faria-lhe falta e concordou com o valor.

<som de festa>

Durante o banquete, Simônides exaltou os feitos atléticos de Escopas, e a valente forma como mantinha unido seu povo, defendendo-o das nações vizinhas. Comparou o rei aos gêmeos Castor e Pólux, fazendo também grande deferência aos heróis mitológicos.

Ao fim da apresentação, Escopas faz um agradecimento pouco efusivo ao poeta e paga apenas metade do valor combinado dizendo, com um sorriso sarcástico, que Simônides cobre o restante do valor de Castor e Pólux, pois estes haviam recebido mais elogios que ele.

Sabedor de que não havia razão em estabelecer um debate com um rei, o poeta recebeu o que lhe foi entregue e afastou-se, sentando-se em um ponto mais distante da mesa. Não demorou muito, um dos servos de Escopas aproxima-se e o informa que havia dois jovens procurando por ele do lado de fora do palácio.

<fim dos sons de festa>

Simônides, que não esperava por algum conhecido, estranha o chamado, mas aceitou de bom grado a oportunidade de afastar-se dali. Dirigindo-se ao local indicado, não encontra ninguém. Espera por alguns minutos e decide retornar ao salão. <som de passos> Pouco antes de entrar, porém, um grande estrondo e uma enorme nuvem de poeira o deixam desnorteado… quando consegue visualizar o seu redor, vê que o teto do palácio desabou por completo, matando todos em seu interior, inclusive o rei Escopas.  Simónides olha para os céus e vislumbra a constelação de gêmeos, agradecendo a Castor e Pólux pelo pagamento que acabara de receber.

Poucos dias depois ele é chamado para ajudar a identificar os corpos, surpreendendo a todos por lembrar-se de cada um dos presentes, indicando o local em que estavam assentados.

 

Parte 2:

Marcelo: Bem vindos e obrigado a todos pela audiência. Eu sou Marcelo Cafiero e este é o podcast Hiperativo, um espaço de reflexão sobre temas diversos, a partir de textos literários e informativos. Hoje nosso tema é a memória.

 

Parte 3: Narração Marcelo

Música Ambiente

Às três horas fomos todos. Ele estava muito bem disposto. Disse que ia receber alta no dia 19, quando completaria 73 anos. Conversou, brincou muito com os netos. Dirigiu-se a cada um em particular, fez um tanto de recomendações e deu conselhos. Terminou a visita, ele foi ao banheiro e nós saímos do quarto. Fomos para a janela, fora do quarto. O Marcelinho não quis ir embora sem se despedir do vovô. Esperamos ele voltar. Ele foi até a janela, brincou muito com o Marcelo e Juninho. Cantou uma musiquinha feita de improviso para eles. Mais uma vez ele se despediu de nós com beijos e abraços. Deu adeus até a gente sumir na esquina. Eram mais ou menos 5 horas. Chegamos em casa e foi quando o telefone tocou dizendo que ele havia falecido às 5 horas e l5 minutos.
Parte 4:

Marcelo: O Marcelinho nessa narrativa, sou eu e quem a escreveu foi minha avó. Memórias são algo peculiar… Eu era muito novo e não tenho lembrança desse momento, as vezes eu me pergunto por que eu precisei voltar? (e vem sempre um pensamento meio místico no momento). Mas mesmo não me lembrando, eu sempre me emociono quando leio, foi a última vez que vi meu avô. Tenho poucas lembranças dele e desconfio que a maioria das que eu tenho sejam muito mais fruto de relatos dos meus pais, meu irmão e minha avó… como confiamos nossa a nossa vida inteira a algo tão pouco confiável como nossa memória? Acho que é só porque não temos alternativa mesmo (me ocorreu agora que acho que é por isso que nós seres humanos inventamos a escrita).

Parte 5: Narração Marcelo

Música ambiente

Andreia olhava as várias imagens que se projetavam no grande monitor à sua frente. Em geral, a vida das pessoas é bastante tediosa. <sons de conversa, risos, e carros se misturam> Horas e horas de escovar dentes, irritação com despertador, trânsito, trânsito, mais trânsito… e academia. A maior parte do seu trabalho consistia em fazer uma limpeza de toda essa parte chata. Fora isso, ainda havia aqueles momentos tão importantes para o indivíduo, mas muito comuns, quando comparados ao resto da população. A lembrança de um primeiro beijo aos 12 anos de idade, lugar comum, mas aos 20 ou mais, já era algo a ser selecionado.

Guardou o cérebro no qual estava trabalhando há dias, e voltou caminhando para casa. Escolheu um caminho que passava pelo parque, demoraria mais <canto de pássaros> . Depois de anos editando memórias, passara a odiar rotinas e evitava o máximo possível repetir ações diariamente. Utilizava vários caminhos possíveis, a pé, de carro, bicicleta ônibus ou carona. Em alguns dias comia o café no almoço, o jantar pela manhã. Algumas vezes, parava a refeição para escovar os dentes e, então, voltava a comer. A intenção era criar um labirinto para seu editor. Não haveria como descartar automaticamente os eventos sem assisti-los. Mas, é claro, seu cérebro não era cobiçado ou valioso.

A tecnologia de ler a mente dos mortos primeiro foi utilizada pela polícia, investigações de assassinatos, estelionatos e outros crimes passaram a ser muitas vezes solucionadas com auxílio da leitura da mente das vítimas ou comparsas mortos. Isso, claro, obrigou os criminosos a se sofisticarem. Muitos cobriam os rostos, mas também era comum o uso da Droga do Esquecimento, um inibidor da síntese de proteínas que constituem a rede neuronal.

Mas a indústria do entretenimento não deixou de notar o potencial. Primeiro, foram as prostitutas, atrizes e atores de filmes pornográficos a venderem os direitos de publicação de suas lembranças. Quando o primeiro astro da música pop vendeu seu cérebro por um valor exorbitante, os jornais noticiaram por vários dias. Psicólogos, antropólogos, filósofos foram chamados para analisar as consequências. Leis foram criadas para regulamentar a produção das máquinas leitoras de pensamento e para tipificar o crime de “roubo” de memória.

Tudo isso aconteceu anos atrás. Quanto mais distante a memória, mais fragmentada ela é, mais difícil encontrar uma coerência, menos confiáveis são as informações presentes nela. Algumas vezes, sonhos, fantasias e realidade se misturam. Andreia ainda lembrava de quando decidiu se tornar uma editora de pensamentos… olhava para o corpo de seu pai estirado no caixão pensando se ele a havia perdoado. Se em tantos anos de afastamento, ele havia  pensado nela e entendia seus motivos… tantas foram as vezes que se imaginou editando aqueles pensamentos.

Chegou em casa e tomou um café, apesar de já ser noite. Tomou um banho, de olhos fechados como sempre, vestiu seu pijama e saiu para trabalhar.

 

Parte 6:

Marcelo: Este foi o segundo episódio do Podcast Hiperativo. Lembrando que a proposta é lançar um episódio por mês, sempre trazendo referências sobre um tema específico.

Eu queria agradecer a todos aqueles que me passaram suas impressões sobre o primeiro episódio, ao Rodrigo, a Karin, a Ana, ao Senhor A, ao Maycon, e, em especial ao Foca, do grupo de Podcasters no Telegram, ao Yuri, que é amigo das antigas e comentou no facebook. O Foca e o Yuri fizeram observações bem parecidas. Sobre o hiato entre um episódio e outro, eu gostaria de produzir mais episódios do Hiperativo por mês, mas no momento o tempo algo escasso. Assim que puder, eu farei. Sobre a dicção, o formato solo é uma novidade pra mim, então todas as sugestões me ajudaram bastante e espero ter melhorado um pouco.

Preciso também agradecer a  minha esposa Lóren, que foi a primeira ouvinte dos programas, contribuindo muito com sugestões, especialmente sobre a trilha sonora.

O primeiro texto deste episódio é um reconto, de minha autoria, de uma história grega. Simônides era realmente um famoso poeta e filósofo da antiguidade e a ele é atribuído o método de memorização chamado Loci, ou Palácio Mental, que´é o método de criar um espaço mental e ir colocando ali aquilo que você quer lembrar.

O segundo texto, como já disse antes, foi escrito pela minha avó em um caderno de anotações do meu avô. Talvez eu retire mais textos dessa fonte no futuro.

O terceiro texto é um conto de minha autoria chamado Memória.

Por fim, o texto que encerra o programa é um trecho do discurso final do maravilhoso filme Blade Runner, se você não viu, corra e assista!

Se você quiser mandar suas críticas ou sugestões, envie um email para podcasthiperativo@gmail.com, ou entre em contato comigo pelo twitter @marcelocafiero. Eu também estou semanalmente, junto com o Rodrigo Cornélio, no EntreFraldas.com.br falando sobre paternidade e criação de filhos.

Ah! Antes que eu me esqueça, a partir desse episódio saem duas postagens simultâneas no Blog, uma do episódio em áudio e outra com sua transcrição escrita.

Então eu fico por aqui! Até a próxima.

Parte 7:  Blade runner: tears in rain

Som de chuva

Musica ambiente: Vangelis

Eu vi coisas que vocês não imaginariam. Naves de ataque em chamas ao largo de Órion. Eu vi raios-c brilharem na escuridão próximos ao Portão de Tannhäuser. Todos esses momentos se perderão no tempo, como lágrimas na chuva.